A independência dos estados africanos no século XX e História Africana

terça-feira, 11 de abril de 2017

Os países africanos independentes

TEXTO 3

Os países africanos independentes

“Desde o século XX, diversa etnias coexistiam nos territórios dos países africanos que se tornaram independentes”.

O continente africano é habitado por uma grande diversidade de grupos étnicos. Esses grupos que foram se construindo ao longo dos séculos, são bastante heterogêneos no aspecto cultural, porém, no que diz respeito às suas independências, apresentam muitas características em comum.
Os países da África se formaram com base nos processos de independência ocorridos ao longo do século XX. Contudo, mesmo depois de conquistadas a independências, muitas das fronteiras artificiais criadas pelos europeus foram mantidas. Essas fronteiras desrespeitavam a distribuição tradicional dos povos no continente e acabaram colocando pessoas de etnias diferentes em um mesmo país, o que contribuiu para o surgimento de vários conflitos.
As potências imperialistas se utilizaram de diversos meios para conservar sua influência política, econômica e militar na África. Nesse sentido, muitos representantes do governo e das empresas privadas das potências imperialistas se empenharam em manter relações vantajosas com os países recém independentes.
As novas elites africanas que surgiram dessas que surgiram dessas relações eram proprietárias de grandes indústrias, bancos e fazendas, e mantiveram o modelo de exploração econômica implantado pelas antigas elites europeias fundamentando em latifúndios monocultores e em empresas multinacionais que exploram os recursos dos países e industrializam as matérias-primas.

(PELEGRINNI, 2012, p. 162 et. Seq)



ÁFRICA



Estudo de caso (Gana, Congo, Angola, Moçambique e Guiné-Bissau) de BOULOS, 2015, p. 179-182.

Em 1945, o número de países africanos independentes era muito reduzido. Nos trinta anos seguintes, a maioria dos países africanos tinha conseguido sua independência.

A Costa do Ouro
Na Costa do Ouro, uma região rica em ouro, diamante, bauxita e cacau, viviam diversas etnias africanas como fanti, os ashanti, os ewe e os ga, cada qual com sua língua e cultura. Os britânicos, senhores da região, procuravam manter essas etnias desumidas, a fim de manter seu domínio. Contra a pressão britânica organizou-se na Costa do Ouro um movimento de resistência liderado pelo doutor Kwame Nkrumah, que incentivava as etnias locais a deixarem de lado duas diferenças e se unirem contra o colonialismo.
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Inspirado na tática da resistência pacífica criada por Gandhi, Nkrumah propunha o boicote aos produtos e a desobediência civil. Para fazer oposição aos britânicos, fundou em 1949 o Partido da Convenção do Povo (CPP), cujo lema era “autonomia já”. Aos poucos, o movimento de desobediência civil cresceu e a Grã-Bretanha decidiu negociar com os africanos. Em 1957, a Costa do Ouro alcançava a independência e Kwame Nkrumah assumia a chefia do governo. Efetivada a independência, a Costa do Ouro passou a chamar-se Ghana, em homenagem à antiga e exuberante civilização que floresceu no local.

O Congo
Com um território oitenta vezes maior que o da Bélgica e situado no coração da África, o Congo foi inicialmente propriedade particular do rei belga Leopoldo I; depois passou a administração da Bélgica. Rico em cobre, zinco, manganês, urânio e diamante, o Congo atraiu poderosas companhias internacionais, como o Unilever de baixíssimos salários pagos aos congoleses.
A administração belga era autoritária, os congoleses não tinham liberdade de expressão, nem de representação e só podiam freqüentar a escola por quatro anos. Para lutar contra a opressão e a discriminação racial, os congoleses criaram em 1956 a ABAKO, Associação do Baixo congo, chefiada por J. Kasavubu e, no ano seguinte, o Movimento Nacional Congolês (MNC), liderado por Patrice Lumumba. Sob a liderança de Lumumba, os congoleses organizaram uma série de manifestações de rua e greves pela independência. Pressionados pela resistência congolesa, os belgas se retiraram e, em 30 de junho de 1960, o Congo tornou-se independente; o primeiro chefe de governo foi o próprio Patrice Lumumba.
Mas o projeto de Lumumba de unir os congoleses em torno de um estado nacional não prosperou. Com o apoio dos Estados Unidos, a rica província de Katanga moveu uma guerra separatista contra as forças de Lumumba que, por sua vez, recebiam ajuda da União Soviética. A guerra civil terminou com a vitória  do coronel Mobuto Desiré, aliado dos norte-americanos, que assumiu o poder com a vitória em 1961; Lumumba foi preso e assassinado em circunstâncias misteriosas, o que levou a ONU a intervir no país para assegurar a independência.
Em 1960, além do Congo Belga, muitos países africanos se llibertaram; são eles: Camarões, Congo-Brazzaville, Gabão, Chade, República Centro-africana, Togo, costa do Mali, Madagascar, Somália e Mauritânia. Devido ao grande número de independências ocorridas em 1960, este ano ficou conhecido como “ano africano”.

Angola, Moçambique e Guiné Bissau
Na África sob o domínio português, a vida dos africanos também era marcada por intensa exploração. Os angolanos, por exemplo, trabalhavam para os portugueses nas plantações (cana-de-açúcar, milho, café, amendoim), nas minas (diamantes) ou nas cidades, em troca basicamente de roupa e comida, já que os melhores empregos eram reservados aos portugueses vindos da Metrópole. Em 1930, esse sistema de trabalho foi substituído pelo sistema de contrato, por meio do qual o governo português, liderado por Antônio de Oliveira Salazar, provocou um aumento da resistência africana dentro e fora da África. 

Em Lisboa (Portugal) em 1951, um grupo de universitários vindos da África fundou o Centro de Estudos Africanos. Entre esses jovens estavam Amílcar Cabral (Guiné-Bissau e Cabo Verde), Agostinho Neto e Mário Pinto de Andrade (Angola) e Francisco Tenreiro (São Tomé e Príncipe) e Noémia de Sousa (Moçambique). Essa geração de militantes africanos – conhecida como “geração de 50” – foi perseguida pela política salazarista e o Centro foi fechado.
Muitos deles, porém, continuaram a luta por seus ideais nos movimentos de libertação que se formaram na África. Entre esses movimentos estavam o MPLA (Movimento Popular para a Libertação de angola), liderado por Agostinho Neto (1922-1979), a Frelimo (Frente para a Libertação de Moçambique), dirigido por Samora Machet (1933-1986), e o PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e de Cabo Verde) sob a liderança de Amílcar Cabral (1924-1973).
O governo salazarista usou a diplomacia e a violência para defender seus interesses na África. Por um lado, atuou junto à ONU (Organização das Nações Unidas) em defesa da ocupação portuguesa na África, por outro lado, enviou milhares de soldados armados com metralhados, aviões e equipamentos modernos para reprimir os movimentos africanos pela independência.
Em Portugal, os gastos com a guerra na África (cerca de 40% do orçamento nacional) e as mortes de milhares de jovens soldados todos os anos geraram forte descontentamento, o que contribuiu para a eclosão da Revolução dos Cravos, em 25 de abril de 1974. Esse movimento, liderado por jovens oficiais das Forças armadas portuguesas teve amplo apoio popular e derrubou a ditadura salazarista que vigorava em Portugal havia 42 anos.
Vitorioso, o governo português adotou o seguinte lema: “Democracia em nosso país, descolonização na África”. E, depois de dissolver a polícia política portuguesa, encaminhou o reconhecimento das independências africanas. Moçambique teve a independência reconhecida em 25 de junho de 1974, sob a presidência de Samora Machel; Angola, em 11 de novembro de 1975, sob a liderança de  Agostinho Neto. Machel governou seus país até 1986, quando morreu em um misterioso desastre aéreo, enquanto sobrevoava a áfrica do Sul.


ATIVIDADE  PROPOSTA

a.    Fazer a leitura reflexiva dos textos, individualmente (PARA CASA).

b.    Sublinhar a frase que mais chamou a sua atenção.

c.    Formar grupo de alunos e discutir as frases selecionadas.

d.    Registrar no blog a opinião do grupo.

Trabalhando na construção do BLOG e nas postagens



NONO  "A"





NONO  "B"







NONO  "C"







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PRECISAMOS DE MAIS MANDELA

"A PARTICIPAÇÃO E CONTRIBUIÇÃO DE TODOS FORAM MUITO IMPORTANTE
"MUITOOOO OBRIGADO DE CORAÇÃO"


A INDEPENDÊNCIA DA ÁFRICA

TEXTO 2
A INDEPENDÊNCIA DA ÁFRICA

“Os processos de independência no continente africano ocorreram de diferentes formas, de acordo com as particularidades de cada região”.

Países como o Egito, a Etiópia e a África do Sul já tinham conquistado a sua independência no início do século XX. A maioria dos países africanos, no entanto, só se tornou independente a partir da década de 1950.
Os processos de independência variaram de acordo com cada lugar e cada época. Durante as lutas de independência, ocorreram conflitos armados, protestos, manifestações, greves e até mesmos acordos diplomáticos.
O fim do domínio português: Algumas nações africanas estavam sob os   domínio português desde o século XVI. Ao longo de mais de 400 anos de domínio colonial, os africanos resistiram de diversas formas. A partir da década de 60, ganhou força a luta armada, além de outros meios de resistência, como a publicação de jornais, as greves de trabalhadores e o boicote ao pagamento de impostos. Muitas pessoas, entre estudantes, intelectuais e trabalhadores, lutaram juntas pela independência. Após a conquista da independência, porém, os conflitos étnicos e as disputas dos partidos políticos deram origem a guerras civis que se arrastaram pelas décadas seguintes.
A África francesa: Após o final da Segunda Guerra Mundial, a França, assim como outros países europeus, estava arrasada e com dificuldade de reprimir os protestos e as rebeliões em suas colônias. Por isso, algumas colônias francesas, como a Tunísia, o Marrocos e a África Equatorial, conquistaram sua independência de forma relativamente “pacífica”, por meio de acordo e plebiscitos, mas mesmo nesses países houve disputas políticas e levantes populares. Na Argélia, no entanto, ocorreu um processo violento de independência, em que milhares de pessoas morreram ao longo de oito anos de conflitos armados entre europeus e argelinos.
A retirada belga: No processo de independência das colônias da Bélgica houve a importante participação da população por meio da organização de partidos e da mobilização por direitos políticos. Houve diversos confrontos de rua em que membros de grupos étnicos rivais lutaram entre si, instigados pelos colonizadores. Essa estratégia dos belgas provocou muitas mortes e desestabilizou o movimento de emancipação política. a independência do Congo foi decidida em uma conferencia realizada na cidade de Bruxelas, na Bélgica, em janeiro de 1960. Nessa ocasião, autoridades belgas e chefes políticos congoleses estabeleceram a data de 30 de junho de 1960 para a saída dos colonizadores do país. 
O fim do domínio inglês: Nas colônias inglesas, o sistema de administração colonial era indireto, ou seja, não era um inglês que governava; o chefe nativo local continuava no poder, desde que colaborasse com as autoridades inglesas. Essa forma de dominação garantiu processos de independência relativamente pacíficos, como foi o caso da Nigéria e de Serra Leoa.  Em outros países houve boicotes, greves e manifestações, como as promovidas no Quênia em 1951, em que milhares de manifestantes foram presos e muitos morreram ao resistir contra as forças coloniais.
Alemães, italianos e espanhóis perderam suas colônias: Após a derrota na Primeira Guerra Mundial, a Alemanha perdeu o domínio sobre suas colônias africanas, que ficaram sobre o mandato dos países Aliados: sobre a Inglaterra, França e Bélgica. Essa colônias conquistaram suas independências durante décadas de 1950 e 1960. Já no final da Segunda Guerra Mundial, foi a Itália que perdeu o domínio sobre suas colônias. A Líbia, a Eritreia e a Somália passaram a ser administradas pela ONU. Nesses países, houve processos de independência que se arrastaram pelas décadas seguintes. Nas colônias espanholas, livrar-se do domínio europeu não representou necessariamente autonomia política. No caso do Saara Espanhol, por exemplo, o poder passou dos europeus para os países vizinhos, Marrocos e Mauritânia, em 1976. Houve a reação dos nativos saaráuis que, apesar de se organizarem em exércitos contra a ocupação, foram derrotados. Em 1979, o Marrocos consolidou a dominação do território, atualmente chamado Saara Ocidental. A dominação existe até hoje e enfrenta a resistência de movimentos pró-independência.

PELLEGRINI, Marco César, DIAS Adriana Machado, GRINBERG, Keila. Vontade de saber história, 9º ano. 2. ed. São Paulo: FTD, 201



  1. Depois, de pesquisar e observar os mapas e links escolher e escrever os nomes de países africanos e o ano de sua independência.         

2. Sobre as independências da África, responda.
a)    Como se deu esse processo nos países sob o domínio francês?
b)    Explique o processo de independência das colônias belgas?
c)    Como as colônias inglesas conquistaram sua independência?
d)    Explique o processo de independência das colônias portuguesas?
e)    O que aconteceu nas regiões dominadas pelos alemães, pelos italianos e pelos espanhóis?


2. Sobre o texto complementar, escreva por que o termo “descolonização” não é adequado para se referir às independências dos países africanos? Faça a postagem no blog da turma.