TEXTO 3
Os países africanos independentes
“Desde o século XX, diversa etnias coexistiam nos territórios dos países africanos que se tornaram independentes”.
O continente africano é habitado por
uma grande diversidade de grupos étnicos. Esses grupos que foram se construindo
ao longo dos séculos, são bastante heterogêneos no aspecto cultural, porém, no
que diz respeito às suas independências, apresentam muitas características em
comum.
Os países da África se formaram com
base nos processos de independência ocorridos ao longo do século XX. Contudo,
mesmo depois de conquistadas a independências, muitas das fronteiras
artificiais criadas pelos europeus foram mantidas. Essas fronteiras
desrespeitavam a distribuição tradicional dos povos no continente e acabaram
colocando pessoas de etnias diferentes em um mesmo país, o que contribuiu para
o surgimento de vários conflitos.
As potências imperialistas se
utilizaram de diversos meios para conservar sua influência política, econômica
e militar na África. Nesse sentido, muitos representantes do governo e das
empresas privadas das potências imperialistas se empenharam em manter relações
vantajosas com os países recém independentes.
As novas elites africanas que surgiram
dessas que surgiram dessas relações eram proprietárias de grandes indústrias,
bancos e fazendas, e mantiveram o modelo de exploração econômica implantado
pelas antigas elites europeias fundamentando em latifúndios monocultores e em
empresas multinacionais que exploram os recursos dos países e industrializam as
matérias-primas.
(PELEGRINNI, 2012, p. 162 et. Seq)
ÁFRICA
Estudo
de caso (Gana, Congo, Angola, Moçambique e Guiné-Bissau) de BOULOS, 2015, p.
179-182.
Em 1945, o número de países africanos
independentes era muito reduzido. Nos trinta anos seguintes, a maioria dos
países africanos tinha conseguido sua independência.
A Costa do Ouro
Na Costa do Ouro, uma região rica em
ouro, diamante, bauxita e cacau, viviam diversas etnias africanas como fanti,
os ashanti, os ewe e os ga, cada qual com sua língua e cultura. Os britânicos,
senhores da região, procuravam manter essas etnias desumidas, a fim de manter
seu domínio. Contra a pressão britânica organizou-se na Costa do Ouro um
movimento de resistência liderado pelo doutor Kwame Nkrumah, que incentivava as
etnias locais a deixarem de lado duas diferenças e se unirem contra o
colonialismo.
Inspirado na tática da resistência pacífica criada por Gandhi,
Nkrumah propunha o boicote aos produtos e a desobediência civil. Para fazer
oposição aos britânicos, fundou em 1949 o Partido
da Convenção do Povo (CPP), cujo lema era “autonomia já”. Aos poucos, o
movimento de desobediência civil cresceu e a Grã-Bretanha decidiu negociar com
os africanos. Em 1957, a Costa do Ouro alcançava a independência e Kwame
Nkrumah assumia a chefia do governo. Efetivada a independência, a Costa do Ouro
passou a chamar-se Ghana, em homenagem à antiga e exuberante civilização que
floresceu no local.
O Congo
Com um território oitenta vezes maior
que o da Bélgica e situado no coração da África, o Congo foi inicialmente
propriedade particular do rei belga Leopoldo I; depois passou a administração
da Bélgica. Rico em cobre, zinco, manganês, urânio e diamante, o Congo atraiu
poderosas companhias internacionais, como o Unilever de baixíssimos salários pagos
aos congoleses.
A administração belga era autoritária,
os congoleses não tinham liberdade de expressão, nem de representação e só
podiam freqüentar a escola por quatro anos. Para lutar contra a opressão e a
discriminação racial, os congoleses criaram em 1956 a ABAKO, Associação do Baixo congo, chefiada por J. Kasavubu e, no
ano seguinte, o Movimento Nacional
Congolês (MNC), liderado por Patrice
Lumumba. Sob a liderança de Lumumba, os congoleses organizaram uma série de
manifestações de rua e greves pela independência. Pressionados pela resistência
congolesa, os belgas se retiraram e, em 30 de junho de 1960, o Congo tornou-se
independente; o primeiro chefe de governo foi o próprio Patrice Lumumba.
Mas o projeto de Lumumba de unir os
congoleses em torno de um estado nacional não prosperou. Com o apoio dos
Estados Unidos, a rica província de Katanga moveu uma guerra separatista contra
as forças de Lumumba que, por sua vez, recebiam ajuda da União Soviética. A
guerra civil terminou com a vitória do
coronel Mobuto Desiré, aliado dos norte-americanos, que assumiu o poder com a
vitória em 1961; Lumumba foi preso e assassinado em circunstâncias misteriosas,
o que levou a ONU a intervir no país para assegurar a independência.
Em 1960, além do Congo Belga, muitos
países africanos se llibertaram; são eles: Camarões, Congo-Brazzaville, Gabão,
Chade, República Centro-africana, Togo, costa do Mali, Madagascar, Somália e
Mauritânia. Devido ao grande número de independências ocorridas em 1960, este
ano ficou conhecido como “ano africano”.
Angola, Moçambique e Guiné Bissau
Na África sob o domínio português, a
vida dos africanos também era marcada por intensa exploração. Os angolanos, por
exemplo, trabalhavam para os portugueses nas plantações (cana-de-açúcar, milho,
café, amendoim), nas minas (diamantes) ou nas cidades, em troca basicamente de
roupa e comida, já que os melhores empregos eram reservados aos portugueses
vindos da Metrópole. Em 1930, esse sistema de trabalho foi substituído pelo sistema de contrato, por meio do qual o
governo português, liderado por Antônio de Oliveira Salazar, provocou um
aumento da resistência africana dentro e fora da África.
Em Lisboa (Portugal) em 1951, um grupo
de universitários vindos da África fundou o Centro de Estudos Africanos. Entre esses jovens estavam Amílcar Cabral (Guiné-Bissau e Cabo
Verde), Agostinho Neto e Mário Pinto
de Andrade (Angola) e Francisco Tenreiro
(São Tomé e Príncipe) e Noémia de
Sousa (Moçambique). Essa geração de militantes africanos – conhecida como “geração de 50” – foi perseguida pela
política salazarista e o Centro foi fechado.
Muitos deles, porém, continuaram a
luta por seus ideais nos movimentos de libertação que se formaram na África.
Entre esses movimentos estavam o MPLA (Movimento
Popular para a Libertação de angola), liderado por Agostinho Neto
(1922-1979), a Frelimo (Frente para a
Libertação de Moçambique), dirigido por Samora Machet (1933-1986), e o PAIGC (Partido Africano para a
Independência da Guiné e de Cabo Verde) sob a liderança de Amílcar Cabral
(1924-1973).
O governo salazarista usou a
diplomacia e a violência para defender seus interesses na África. Por um lado,
atuou junto à ONU (Organização das Nações Unidas) em defesa da ocupação
portuguesa na África, por outro lado, enviou milhares de soldados armados com
metralhados, aviões e equipamentos modernos para reprimir os movimentos
africanos pela independência.

Em Portugal, os gastos com a guerra na
África (cerca de 40% do orçamento nacional) e as mortes de milhares de jovens
soldados todos os anos geraram forte descontentamento, o que contribuiu para a
eclosão da Revolução dos Cravos, em
25 de abril de 1974. Esse movimento, liderado por jovens oficiais das Forças
armadas portuguesas teve amplo apoio popular e derrubou a ditadura salazarista
que vigorava em Portugal havia 42 anos.
Vitorioso, o governo português adotou o seguinte lema:
“Democracia em nosso país,
descolonização na África”. E, depois de dissolver a polícia política portuguesa, encaminhou o reconhecimento das
independências africanas. Moçambique teve a independência reconhecida em 25 de
junho de 1974, sob a presidência de Samora
Machel; Angola, em 11 de novembro de 1975, sob a liderança de Agostinho Neto. Machel governou seus país
até 1986, quando morreu em um misterioso desastre aéreo, enquanto sobrevoava a
áfrica do Sul.
ATIVIDADE PROPOSTA
a. Fazer a leitura reflexiva dos textos, individualmente (PARA CASA).
b. Sublinhar a frase que mais chamou a sua atenção.
c. Formar grupo de alunos e discutir as frases selecionadas.
d. Registrar no blog a opinião do grupo.
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