(PELEGRINNI, 2012, p. 162 et. Seq)
ÁFRICA
Estudo
de caso (Gana, Congo, Angola, Moçambique e Guiné-Bissau) de BOULOS, 2015, p.
179-182.
Em 1945, o número de países africanos
independentes era muito reduzido. Nos trinta anos seguintes, a maioria dos
países africanos tinha conseguido sua independência.
A Costa do Ouro
Na Costa do Ouro, uma região rica em
ouro, diamante, bauxita e cacau, viviam diversas etnias africanas como fanti,
os ashanti, os ewe e os ga, cada qual com sua língua e cultura. Os britânicos,
senhores da região, procuravam manter essas etnias desumidas, a fim de manter
seu domínio. Contra a pressão britânica organizou-se na Costa do Ouro um
movimento de resistência liderado pelo doutor Kwame Nkrumah, que incentivava as
etnias locais a deixarem de lado duas diferenças e se unirem contra o
colonialismo.
Inspirado na tática da resistência pacífica criada por Gandhi,
Nkrumah propunha o boicote aos produtos e a desobediência civil. Para fazer
oposição aos britânicos, fundou em 1949 o Partido
da Convenção do Povo (CPP), cujo lema era “autonomia já”. Aos poucos, o
movimento de desobediência civil cresceu e a Grã-Bretanha decidiu negociar com
os africanos. Em 1957, a Costa do Ouro alcançava a independência e Kwame
Nkrumah assumia a chefia do governo. Efetivada a independência, a Costa do Ouro
passou a chamar-se Ghana, em homenagem à antiga e exuberante civilização que
floresceu no local.
O Congo
Com um território oitenta vezes maior
que o da Bélgica e situado no coração da África, o Congo foi inicialmente
propriedade particular do rei belga Leopoldo I; depois passou a administração
da Bélgica. Rico em cobre, zinco, manganês, urânio e diamante, o Congo atraiu
poderosas companhias internacionais, como o Unilever de baixíssimos salários pagos
aos congoleses.
A administração belga era autoritária,
os congoleses não tinham liberdade de expressão, nem de representação e só
podiam freqüentar a escola por quatro anos. Para lutar contra a opressão e a
discriminação racial, os congoleses criaram em 1956 a ABAKO, Associação do Baixo congo, chefiada por J. Kasavubu e, no
ano seguinte, o Movimento Nacional
Congolês (MNC), liderado por Patrice
Lumumba. Sob a liderança de Lumumba, os congoleses organizaram uma série de
manifestações de rua e greves pela independência. Pressionados pela resistência
congolesa, os belgas se retiraram e, em 30 de junho de 1960, o Congo tornou-se
independente; o primeiro chefe de governo foi o próprio Patrice Lumumba.


Mas o projeto de Lumumba de unir os
congoleses em torno de um estado nacional não prosperou. Com o apoio dos
Estados Unidos, a rica província de Katanga moveu uma guerra separatista contra
as forças de Lumumba que, por sua vez, recebiam ajuda da União Soviética. A
guerra civil terminou com a vitória do
coronel Mobuto Desiré, aliado dos norte-americanos, que assumiu o poder com a
vitória em 1961; Lumumba foi preso e assassinado em circunstâncias misteriosas,
o que levou a ONU a intervir no país para assegurar a independência.
Em 1960, além do Congo Belga, muitos
países africanos se llibertaram; são eles: Camarões, Congo-Brazzaville, Gabão,
Chade, República Centro-africana, Togo, costa do Mali, Madagascar, Somália e
Mauritânia. Devido ao grande número de independências ocorridas em 1960, este
ano ficou conhecido como “ano africano”.
Angola, Moçambique e Guiné Bissau
Na África sob o domínio português, a
vida dos africanos também era marcada por intensa exploração. Os angolanos, por
exemplo, trabalhavam para os portugueses nas plantações (cana-de-açúcar, milho,
café, amendoim), nas minas (diamantes) ou nas cidades, em troca basicamente de
roupa e comida, já que os melhores empregos eram reservados aos portugueses
vindos da Metrópole. Em 1930, esse sistema de trabalho foi substituído pelo sistema de contrato, por meio do qual o
governo português, liderado por Antônio de Oliveira Salazar, provocou um
aumento da resistência africana dentro e fora da África.


Em Lisboa (Portugal) em 1951, um grupo
de universitários vindos da África fundou o Centro de Estudos Africanos. Entre esses jovens estavam Amílcar Cabral (Guiné-Bissau e Cabo
Verde), Agostinho Neto e Mário Pinto
de Andrade (Angola) e Francisco Tenreiro
(São Tomé e Príncipe) e Noémia de
Sousa (Moçambique). Essa geração de militantes africanos – conhecida como “geração de 50” – foi perseguida pela
política salazarista e o Centro foi fechado.
Muitos deles, porém, continuaram a
luta por seus ideais nos movimentos de libertação que se formaram na África.
Entre esses movimentos estavam o MPLA (Movimento
Popular para a Libertação de angola), liderado por Agostinho Neto
(1922-1979), a Frelimo (Frente para a
Libertação de Moçambique), dirigido por Samora Machet (1933-1986), e o PAIGC (Partido Africano para a
Independência da Guiné e de Cabo Verde) sob a liderança de Amílcar Cabral
(1924-1973).
O governo salazarista usou a
diplomacia e a violência para defender seus interesses na África. Por um lado,
atuou junto à ONU (Organização das Nações Unidas) em defesa da ocupação
portuguesa na África, por outro lado, enviou milhares de soldados armados com
metralhados, aviões e equipamentos modernos para reprimir os movimentos
africanos pela independência.
Em Portugal, os gastos com a guerra na
África (cerca de 40% do orçamento nacional) e as mortes de milhares de jovens
soldados todos os anos geraram forte descontentamento, o que contribuiu para a
eclosão da Revolução dos Cravos, em
25 de abril de 1974. Esse movimento, liderado por jovens oficiais das Forças
armadas portuguesas teve amplo apoio popular e derrubou a ditadura salazarista
que vigorava em Portugal havia 42 anos.
Vitorioso, o governo português adotou o seguinte lema:
“Democracia em nosso país,
descolonização na África”. E, depois de dissolver a polícia política portuguesa, encaminhou o reconhecimento das
independências africanas. Moçambique teve a independência reconhecida em 25 de
junho de 1974, sob a presidência de Samora
Machel; Angola, em 11 de novembro de 1975, sob a liderança de Agostinho Neto. Machel governou seus país
até 1986, quando morreu em um misterioso desastre aéreo, enquanto sobrevoava a
áfrica do Sul.
ATIVIDADE PROPOSTA
a. Fazer a leitura reflexiva dos textos, individualmente (PARA CASA).
b. Sublinhar a frase que mais chamou a sua atenção.
c. Formar grupo de alunos e discutir as frases selecionadas.
d. Registrar no blog a opinião do grupo.